quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Jader Barbalho ficou 24 anos fora do Governo do Pará após se afastar para disputar o Senado



A história política recente do Pará guarda um dos episódios mais emblemáticos da política estadual. Em 1994, o então governador Jader Barbalho decidiu se afastar do cargo para disputar uma vaga no Senado da República e deixou o comando do Estado nas mãos do vice-governador Carlos Santos. A decisão mudaria profundamente o curso do poder no Pará.


O afastamento custou caro. Jader nunca mais voltou ao Governo do Estado como governador. A partir dali, o Pará passou por uma longa sucessão de gestões que mantiveram Jader longe do Executivo estadual por 24 anos consecutivos, considerando mandatos de quatro anos.


Almir Gabriel governou por dois mandatos, somando 8 anos.

Ana Júlia Carepa governou por um mandato, totalizando 4 anos.

Simão Jatene governou por três mandatos, o que representou 12 anos.


Somados, foram 24 anos fora do Governo do Pará.


Durante esse período, Jader manteve influência política, força eleitoral e protagonismo nacional, mas não conseguiu retomar diretamente o comando do Palácio dos Despachos. O retorno do grupo Barbalho ao Executivo estadual não aconteceu por Jader, mas apenas décadas depois, por meio de seu filho.


Para isso, foi preciso esperar Helder Barbalho crescer politicamente. Helder foi vereador, deputado e construiu base eleitoral própria. Em 2014, disputou o Governo do Estado e foi derrotado por Simão Jatene. Somente após essa derrota e o amadurecimento político do projeto é que o grupo conseguiu, enfim, voltar ao poder.


A vitória veio em 2018, com a eleição de Helder Barbalho, que assumiu o Governo em 2019. Ou seja, o grupo Barbalho só retornou ao comando do Estado após quase um quarto de século e não pelas mãos de Jader, mas por meio de seu herdeiro político. Esse retorno soma hoje cerca de seis a sete anos de governo, um período curto quando comparado aos 24 anos de afastamento provocados pela decisão de 1994.


É nesse contexto histórico que o debate atual ganha relevância. Com Hana Barbalho, vice-governadora na chapa de Helder Barbalho, passando a ocupar papel central no projeto político do grupo, surge uma indagação inevitável nos bastidores.


Caso Helder venha a se afastar do cargo para disputar outra posição majoritária e deixe Hana à frente do Governo do Estado, o risco histórico pode se repetir? A experiência mostra que o poder, quando é deixado, nem sempre é retomado com facilidade. A máquina administrativa, as alianças políticas e o tempo podem consolidar novos grupos e novos projetos.


A pergunta que ecoa no cenário político paraense é direta. O grupo Barbalho está disposto a correr novamente um risco que já custou 24 anos fora do Governo do Pará?

Na política, o passado não se repete exatamente, mas costuma ensinar.


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