Quem observava o Pará há pouco tempo via um tabuleiro político sob controle absoluto. Com 70% de aprovação, o então governador Helder Barbalho ditava as regras do jogo. Ele escolhia aliados, desenhava a estrutura das candidaturas e parecia ter o controle total sobre o destino das cadeiras no Senado. A estratégia era clara, mas, na política, o terreno pode mudar rapidamente.
Hoje, esse cenário de controle dá sinais claros de fadiga. As peças principais do ex-governador não crescem nas pesquisas, enquanto a direita surge fortalecida e bem posicionada com nomes como Zequinha Marinho e Eder Mauro. O tabuleiro, que parecia perfeitamente montado, começa a apresentar fissuras estruturais.
O ponto crítico desta mudança é a pré-candidatura de Celso Sabino. Ao se lançar ao Senado, ignorando o desenho original de Helder, trazendo a ex-governadora Ana Júlia como suplente e reivindicando o apoio do presidente Lula, Sabino cria um curto-circuito na estratégia que parecia imbatível. O apoio que o ex-governador esperava para o seu candidato não se confirma, e a fragmentação do palanque é evidente.
Essa desestabilização traz à memória o "Fenômeno Amazonas" de 2018. Naquela ocasião, nomes consagrados e detentores de mandato, como a então senadora Vanessa Grazziotin, que buscava a reeleição, e o experiente Alfredo Nascimento, foram surpreendidos nas urnas. O vitorioso foi o estreante Plínio Valério, que, junto à reeleição de Eduardo Braga, garantiu o primeiro lugar e mostrou que a vontade do eleitor pode atropelar qualquer máquina política bem desenhada.
Com a estratégia de Helder Barbalho sob pressão e o cenário dividido, a pergunta que ecoa nos bastidores políticos é inevitável: será que o Pará está prestes a repetir o fenômeno do Amazonas? O xadrez está posto, mas o movimento final, como sempre, será do eleitor.
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